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Apr
9

Deu Branco!

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Deu Branco!

Ser conceitual é atributo essencial para quem, em tempos pós-modernos, é criativo e navega pelo competitivo universo do varejo da moda.

A dupla chilena composta por Jorge Godoy  Roman e Lene Nettlebeck da Gun Arquitetos, é autora do projeto Catedral de Água, instalação recentemente apresentada no Centro Cultural Matucana 100 em Santiago do Chile.  Os arquitetos  criaram um bosque de gotejantes estalactites brancas, alternados com um conjunto de estalagmites. A instalação é composta por inúmeros funis de tecidos brancos que foram preenchidos de areia e suspensos numa estrutura de ferro. Um sistema de irrigação mantém a areia molhada para que gotejem sobre os visitantes.

JorgeGodoy_Blog

 

A linguagem conceitual de um projeto arquitetônico como este pode, de certa forma, ser transposta para o ambiente de loja. Embora os cenários do varejo não sigam esta estética minimalista com superfícies planas e polidas, não há dúvida de que o branco apresentado por meio de diferentes materiais criam impacto visual.

Em Nova Iorque, meca da moda e de seus satélites, é a sede do BUILDING FASHION, evento  que une arquitetos e profissionais do dinâmico mundo fashion. O evento promove através dos arquitetos participantes, a criação de projetos para as chamadas pop up stores que dentro da atual proposta para o varejo, são verdadeiras instalações de moda!

Vale destacar a participação dos arquitetos da Snarkitecture para o estilista Richard Chai.

A loja idealizada pelos profissionais é toda inspirada numa geleira. As fendas escavadas criam a  impressão de um mundo natural, mas não passam de um trabalho de escultura no isopor dentro de um contêiner de navio.


RichardChai_blog

Dentro do mesmo evento, o espaço de 44 m2 projetado pelo arquiteto Dominc Leong da Leong Leong para o estilista SIKI IM, foi inteiramente recoberto por uma espuma de poliuretano biodegradável, sobreposta a um half pipe pontuado por nichos e prateleiras que foram esculpidas usando facas, serras e lixadeiras. A superfície resistente convida os visitantes a sentar-se descalços, a escorregar, e até mesmo comprar…

As roupas foram penduradas fora da vista, nas cavidades em cada extremidade da rampa, acessado pelas aberturas triangulares no chão. Projetado digitalmente em seções, a instalação foi construída fora do local, desmontado e remontado em três dias em um orçamento US$ 5.000.

SikiIm_blog

Acreditem, o branco tomou conta e provou o seu poder sinestésico.

 Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Este texto foi publicado na edição 138 da revista World Fashion+Varejo, na Coluna +Sua Loja

Jan
3

Ultra Pop Up

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Ultra Pop Up

Com hora marcada para começar e terminar, as pop up stores ou lojas temporárias surgem, acontecem e desaparecem. Instalam-se em construções inusitadas, bairros charmosos, lojas de departamentos e surpreendem com a sua aparição instantânea. No fundo, as pop up stores funcionam como um happening da marca. São ações de comunicação relâmpago que trazem os atributos da marca, sem nunca esquecer seus respectivos DNA.

A exclusividade está no tempo limitado da instalação. A inovação está na nova forma de apresentação a cada temporada. Não se trata de um outlet, stand de lançamento ou loja itinerante.

Foi a estilista japonesa Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, que lançou o conceito, em 2004, com a abertura da primeira pop up store (Guerrilla Store) em Berlin. De lá para cá, a onda pop up se espalhou mundo afora.

Em 2008, para comemorar os 30 anos da Louis Vuitton no Japão, Rei Kawakubo projetou uma pop up store em Tóquio para a marca francesa (acima). O espaço temporário foi o foco para a venda de uma edição limitada de seis modelos de bolsas LV desenhadas pela estilista. Minimalista, no interior da loja predominava o cinza concreto nas paredes e piso. Como displays para as peças especiais, caixas estampadas com monogramas LV foram dispostoas nas paredes.

A Louis Vuitton/Underground (acima) é outra pop up store da marca localizada no subsolo de uma loja de departamentos em Tóquio. Enquanto a loja permanente não se realiza, o clima da temporária é de construção, mas com os produtos expostos sobre tecidos finos e prateleiras laqueadas.

Já na loja temporária da Dr. Martens, em Londres, predomina um visual de depósito que faz parte do DNA da marca, já que suas botas vêm da história de trabalhadores de fábricas. Para esta pop up store, além das botas tradicionais foi lançada uma edição especial desenhada por Yohji Yamamoto, toda exposta em paletes e armários de ferro. O ambiente foi separado por uma cortina industrial amarela em PVC. As luminárias provisórias de obras fazem a iluminação dos produtos. A sinalização foi pintada em estêncil.

Paris é a inspiração para a pop up da Prada, no número 92 da Place Beauvau. A fachada é uma referência à primeira ponte de metal de Paris, a Mirabeau. Manequins estilizados remetem a uma cena no bairro boêmio de Montmartre. Sobre o piso xadrez em mármore, que remete à loja original de 1913 na galeria Vittorio Emanuelle em Milão, estofados revestidos de veludos lilás e espelhos que vão do chão ao teto. No andar superior, móveis beges e displays em bronze e vidro.

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 29 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.

Dec
23

Ilusão óptica

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Ilusão óptica

Perspectivas, proporções, cores, formas e grafismos são alguns dos recursos das artes plásticas e do design. Composições em 2D passam a sensação que são 3D, onde o estático ganha movimento e surpreende no conjunto das formas, materiais e cores. Quando apropriados pelo Store Design, estas composições resultam em ambientes muito além dos convencionais. Como? Muitas inspirações dos movimentos artísticos.

Grafismos em MOVIMENTO

A Op Art caracteriza-se pela composição de elementos gráficos que criam ilusão de movimento e confundem a nossa percepção ótica. Aplicados no Store Design, a sensação de perspectiva e profundidade se perde. As lojas temporárias se valem destes recursos para causar um imediato e grande impacto.

Numa das pop up stores da Artshop, centenas de setas pretas foram adesivadas sobre a base branca de todo o ambiente. Simulando o vôo de aves migratórias, todas se dirigiam para a mesma direção, tornando-se mais bold à medida que chegavam ao ponto focal: os produtos.


180m2 da pop up store da Artshop

Grafismos em MOVIMENTO ACELERADO

Para divulgar uma edição limitada de tênis inspirados na cultura pop americana dos anos de 1980, a Reebok criou, em 2009, sua primeira pop up store em Manhattan.

A empresa tinha a intenção de reposicionar-se na cena criativa e a loja temporária chamada de Reebok Flash, deveria servir de extensão da sua marca e seus calçados. O transeunte era transportado da movimentada Bowery para um ambiente que causava uma ilusão 2D. A loja de 280 m2 teve todas suas superfícies camufladas pelos elementos gráficos de cores vibrantes, intercalados por faixas brancas que recortavam o espaço num ritmo alucinante, criando um movimento acelerado. As faixas aplicadas em ângulos inclinados partiam do piso, escalavam os poliedros que serviam de bases expositoras até atingir o teto distorcendo os planos reais.

A fonte de inspiração foi um mix de Op art com forte predominância do Vorticismo, movimento britânico do início do século XX, marcado pela a associação da arte cinética com influências do Cubismo e do Futurismo. Vale dizer que a origem do nome vem do termo latim vortice que significa redemoinho. Neste ambiente, os tênis multicoloridos dispostos juntos aos grafismos se encontravam à mão dos clientes.


Pop up store da Reebok Flash

Perspectivas e Proporções DISTORCIDAS

Numa recente exposição realizada na cidade de São Paulo, as obras do artista holandês M. C. Escher (1898-1970) foram apreciadas e literalmente experimentadas pelo público que se divertia com as distorções causadas nas proporções. Era uma instalação em perspectiva, onde, como num efeito de ilusão visual, o visitante tornava-se gigante e no extremo oposto, parecia minúsculo. As obras deste grande mestre-matemático das artes gráficas são repletas de escadarias que sobem e descem e desafiam as leis da gravidade, assim como, as leis da perspectiva são totalmente distorcidas para a criação de um mundo imaginário, misterioso e impossível.


Relativity
, Escher,1953- técnica litografia.

Com esta mesma intenção e inspirado naquelas escadarias, o arquiteto italiano Francesco Gatti da 3Gatti, concebeu a nova loja da Alter em Xangai. As escadarias na Alter percorrem o piso, as paredes e o teto confundindo o senso de equilíbrio de qualquer desavisado. Os acabamentos em cores neutras sob o efeito da luz e sombra reforçam a sensação. Não só decorativas, elas são funcionais: escondem o escritório e os provadores, e ainda servem de base para exposição de roupas, calçados, jóias e livros. Como os habitantes da litografia de Escher, que não possuem feições, os manequins conhecidos no mercado como cabeça de ovo, não expõem roupas e estão sentados nos degraus das escadarias existentes no teto e nas paredes, desafiando as leis da gravidade.


Loja Alter em Xangai, inspirada na obra de Escher

Cores e Proporções ACENTUADAS

Nos anos de 1950, a Pop Art surge como um movimento artístico que buscava aproximar a ­arte da vida real. Produtos de consumo de massa eram reproduzidos pelos artistas “pops” em cores vibrantes e em uma escala exagerada, transformando o real em hiper-real. E assim, o mesmo objeto era repetido em cores diferentes. Colagens e serigrafias eram técnicas usuais.

Interpretada nos dias atuais, a Pop Art influencia na criação de coleções de moda e no design de mobiliários.

Na Nucleo, uma loja de 400m2 em Pouso Alegre, Minas Gerais, o mix de produtos premium, não só de moda, mas também de móveis e objetos, é exposto nos mobiliários que  definem e distinguem os vários ambientes da loja.


Mobiliários da Nucleo

Na seção de moda feminina teen, as araras e mesas de apoio têm as bases torneadas em formas exageradas e receberam acabamento laqueado em cores vivas como o vermelho, amarelo e azul. ­Trata-se de uma releitura dos tradicionais mobiliários do dia-a-dia onde as proporções exageradas aliadas aos elementos retos apontam para uma linguagem contemporânea. A escolha das cores intensas e de acabamento brilhante e o uso de espelhos nas paredes maximizam a percepção visual, criando a ilusão de aumentar ainda mais as proporções destes móveis.


Maximizado, também é o desenho do cabideiro para a seção do jeans.

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 136 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.

Dec
15

Espaços convencionais, atmosfera inovadora

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Espaços convencionais, atmosfera inovadora

Habituados a padrões tradicionais de exposição de produtos e comunicação em pontos de venda, consumidores mal podem imaginar as novidades que vêm sendo desenvolvidas para despertar sua curiosidade e estimular a identidade com a marca. Se, para a maioria das lojas, paredes, teto e piso significam demarcação de ambiente, no novo conceito do Design Store esses espaços são transformados em superfícies criativas, transportando o cliente a uma nova dimensão, utilizando recursos que vão além da imaginação.

IlUSTRAR PARA COLORIR

As paredes brancas da pequena loja de tênis Sneakers Delight, em Lisboa, Portugal, tinham seus dias contados para a exposição da Adidas Originals. Foi quando surgiu a ideia de convidar o ilustrador francês Skwak, conhecido por seus personagens Manics, para ilustrar as tais paredes brancas, somente delineando suas ilustrações em preto. Um grande mural colorido foi surgindo graças à participação artística de cada cliente, transformando aquele simples painel branco e preto numa verdadeira obra de arte.

MALHA ORGÂNICA BRANCA

Situada numa agitada rua de negócios em Hangzhou, na China, a loja de moda feminina Romanticism, projetada pela Sako Architects, impressiona! Sua fachada, revestida por uma malha branca em forma arredondada, assemelha-se à entrada de uma caverna. A malha orgânica mais parece uma pele recobrindo as paredes e percorre toda a loja, alterando sua forma e transformando-se em mobiliários, divisória, guarda-corpo e expositores.

Para valorizar as cores das peças, o piso e as paredes foram pintados de branco, enquanto o teto espelhado reflete a malha que se eleva do chão, unindo-os numa imagem lúdica múltipla, que traz a sensação de infinito.

ORIGAMI BRANCO

Para valorizar seu projeto, o arquiteto Sean Dix foi buscar inspiração na arte milenar japonesa de dobrar papéis, o origami. Dix revestiu paredes e desenvolveu divisórias, mobiliários, expositores e luminárias.  Tudo utilizando a técnica da dobradura para montar cada detalhe da loja, batizada de Origami Boutique. O teto, o piso e as paredes ganharam acabamento preto fosco, aumentando a sensação de leveza e valorizando o desenho das dobras e vincos das superfícies brancas dos móveis e displays, que parecem flutuar no espaço. E para complementar o impacto, sua vitrine em cristal com cortes tridimensionais na fachada se diferencia da vizinhança, na Times Square, em Hong Kong.

ESPELHOS E CORES

O espelho é um objeto fascinante, tanto que já influenciou as mais diversas formas de expressão de arte, como é o caso da obra de Robert Smithson, e das esculturas esotéricas em mosaico, nomeadas Jardim de Tarot, da artista francesa Niki de Saint Phalle. Não por acaso, inspiraram também a criação de identidade da marca da Emperor Moth, loja da estilista russa Katia Gomiashvili, em Londres. Projetado por Ab  Rogers Design, o ambiente foi transformado numa sala de espelhos, dispostos com efeito de caleidoscópio, onde placas recortadas e multifacetadas recobrem as paredes e o teto.

Foram utilizadas apenas duas cores no projeto: azul céu, no piso resinado, e rosa fluorescente, nos rejuntes entre as placas de espelho no rodapé. Acrescenta-se ainda uma explosão de cores que aparece refletida nos espelhos, vinda dos produtos vibrantes e alegres da marca. Isso sem contar as imagens de criaturas inusitadas que povoam a loja e interagem com os clientes nas funções de bancos e cabides. Na vitrine, os manequins sobem e descem, fazendo uma divertida coreografia idealizada por Dominic Robson.

Fotos: Koji Fujii/Nacasa & Partners Inc. (Romanticism)/ Divulgação (Sneakers Delight, Origami, Emperor Moth)

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 29 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.

Dec
2

Templos fashion do esporte

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Templos fashion do esporte

Lojas de marcas esportivas se transformam em verdadeiros locais de culto ao estilo e à prática esportiva

A moda, desde o princípio de sua existência, tem sido de grande importância para a sociedade. É através dela que o homem encontrou uma maneira de expressão individual – mostrando o que é e como deseja ser visto pelos outros, construindo sua identidade e se diferenciando. As marcas de produtos esportivos como Adidas, Puma, Fila, Nike e Reebok reconheceram o poder da moda para se atualizar e conquistar um nicho a mais de usuários: os jovens que as vestem não somente para a prática esportiva. Tal fenômeno não seria sucesso não fossem as associações dessas marcas com renomados estilistas, o chamado co-branding.

Da união da Adidas com o criador japonês Yohji Yamamoto surgiu a coleção Y-3, com vestuário, acessórios e swimwear, a maioria com as famosas três listras da marca. Empolgada com os resultados, a Adidas lançou uma segunda parceria com a estilista Stella McCartney para criar uma linha de roupas femininas. Da mesma forma, a Reebok e a estilista Diane Von Furstenberg criaram uma linha. Já a Puma fez uma aliança com o arquiteto e designer francês Philippe Starck e teve uma coleção desenhada pelo estilista britânico Alexander McQueen. Enquanto isso, a Nike, junto com o brasileiro Jum Nakao, lançou em São Paulo, Tóquio e Nova York duas coleções com a etiqueta Jum Nakao for Nike.

Parques temáticos

Essas associações são vias de mão dupla: trazem um refresh fashion para as marcas e, ao mesmo tempo, aumentam o campo de atuação dos designers. O foco intenso em fashion e lifestyle não podia ser transmitido somente pelos produtos e o que temos como resultado são as lojas transformando-se em “templos fashion” que transpiram a identidade da marca como uma religião ou quase parques temáticos.

Um bom exemplo é a loja da Nike que fica em Nova York e é conhecida como Niketown. Inspirada nos grandes estádios, tem cinco andares de produtos da marca e é um lugar onde não se percebe que o tempo passa. Como se fossem dois prédios em um: a fachada externa reflete uma herança dos esportes (os estádios e ginásios) e, internamente, uma nave espacial futurista. O esquema de cores e materiais de acabamento refletem também o antigo e o novo – o estilo palladiano (criado por Andrea Palladio que se inspirava na arquitetura clássica bizantina veneziana) e a cor preta versus o aço escovado e o vidro. O atrium central dá uma visão panorâmica da loja e vinte e seis tubos transportam visivelmente os tênis do estoque para os vários pisos. Um telão gigante se desenrola a cada 15 minutos e apresenta eventos esportivos. Um grande relógio digital da Nike marca o tempo para a próxima atração.

Leonardo da Vinci

A Fila, uma empresa italiana fundada em 1911, introduziu sua primeira linha de roupas esportivas sofisticadas em 1973 e logo se tornou reconhecida pelos calçados e vestuários que combinavam qualidade e beleza. Com o intuito de renovar suas lojas, convidou o renomado arquiteto italiano Giorgio Borruso para desenvolver o novo conceito. A loja de Manhattan, em Nova York, será o modelo para as novas operações que a Fila pretende abrir pelo mundo.

Borruso, que se inspira nos estilos de diversos artistas plásticos, dessa vez usou como base os futuristas. Movimento foi a palavra-chave escolhida por ele para expressar a característica principal do esporte e os elegantes produtos da marca num espaço de 500 m2. O interior da loja é todo sinuoso, começando pelo forro de tecido branco recortado e instalado cinco metros abaixo do forro principal, como nuvens arrastadas por uma ventania no céu. No centro da loja, duas colunas estruturais foram revestidas com centenas de filetes espelhados, uma alusão aos músculos prontos para qualquer movimento.

Uma parede branca e ondulada de cinco metros de altura e 16 de comprimento serve de apoio para 300 calçados dispostos como uma revoada de pássaros. Logo em frente, encontra-se bancos em forma de pés com assentos macios de technogel – uma matéria-prima utilizadas nos calçados da Fila para aumentar a performance. Os racks centrais, feitos de acrílico e em forma de arco, fazem com que as peças expostas pareçam flutuar. Inscrita no balcão-caixa curvo, uma citação de Leonardo da Vinci: “O pé é uma obra-prima da engenharia e um trabalho de arte”.

Iluminação em destaque

Em Bangkok, Tailândia, a loja-conceito da Adidas fica no Siam Discovery Center. Os sistemas de instalações de paredes flexíveis e intercambiáveis feitos em aço escovado se destacam sobre as paredes brancas, assim como ressalta o logotipo Adidas azul-água. Racks centrais expõem camisetas e suas cabeceiras exibem placas curvas com imagens de cada modalidade esportiva. Peças para ginástica ficam sobre mesas marrons. O ponto focal está na parede de fundo onde estão colocados 120 modelos de calçados da Adidas, todos com iluminação pontual. A iluminação geral é uma mistura de lâmpadas incandescentes e fluorescentes que inunda o ambiente de brilho e luz.

A moda é a bola da vez para as marcas esportivas. E as lojas, verdadeiros ginásios de espetáculos.

 

Fotos: Benny Chan/Fotoworks (Fila)/ Divulgação (Niketown e Adidas)

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 13 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.

Nov
25

Luz deve refletir imagem da marca

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Luz deve refletir imagem da marca

Muito além de sua função técnica na arquitetura, a iluminação é uma das principais ferramentas do visual merchandising. Ela pode transformar a cena, criar uma atmosfera, atrair o olhar, influenciar no humor e, com certeza, provocar emoções.

Claro e Escuro, um recurso intimista

Entre os recursos que se pode construir com as técnicas de iluminação está a quantidade de luz que incide no ambiente. O seu excesso ou escassez diz muito a respeito da impressão que se deseja causar no espectador.

A loja de lingerie Undress me, em Kent, Inglaterra, destaca-se de seus vizinhos pela penumbra criada em seu interior, de onde apenas alguns flashes de luz saem da vitrine. O clima é de um “bordel chic” com performances de modelos vivos. O efeito de meia-luz é produzido por arandelas fixadas nas paredes, irradiando luz de lâmpadas incandescentes, o que cria uma atmosfera intimista e exclusiva, fazendo com que o cliente se aproxime de cada produto em exposição.

Efeitos visuais

A loja do MoMA, Museum of Modern Art, em Nova York, tem sua iluminação baseada na icônica lâmpada fluorescente tubular. Os tubos são visíveis através do material translúcido instalado no teto e nas paredes, e se repetem com regularidade criando uma textura visual. Este recurso, chamado de backlight, também foi utilizado nos nichos de exposição, onde as diferentes formas e materiais dos produtos à venda tornam-se mais interessantes ao serem revelados através de suas silhuetas.

Um efeito sutil de estratificação foi obtido com tubos verticais de neon embutidos nas estruturas frontais dos nichos e as colunas de ferro fundido da loja foram revestidas com lâminas de vidros verdes jateados e iluminados internamente por fibra ótica.

Natural ou Artificial definem o bem-estar

A iluminação natural é uma grande aliada das marcas com forte apelo do lifestyle. Claraboias, átrios, bay windows, tetos retráteis e vitrines trazem a luz do dia para dentro da loja, o que cria uma sensação de bem-estar e contato com o mundo externo, além de reavivar as cores naturais dos produtos. Motivo este, inclusive, que elevou o número de estabelecimentos com grandes painéis de vidro em suas fachadas.

Luzes esculturais

A White Gallery, em Roma, é uma loja italiana com conceito de galeria de arte. São 5 mil m2 com uma seleção de moda, acessórios, livros e restaurante. O principal elemento de design é uma luminária escultural denominada Fluxus que fica suspensa no teto e flui pelo espaço como uma malha tricotada. Esse ponto de “tricô”, criado pelo designer Karim Rashid, é quase uma instalação de vidro murano que, ao ser “tecido” pela artista plástica Michela Vianello, recebeu a forma de uma escultura.

A empresa Andromeda fabricou o Fluxus com 8 mil peças de vidro em cores que variavam entre o preto, branco e três tons de cinza. A escultura cobre 60 m2 do ambiente com 5 mil lâmpadas halógenas embutidas, e ainda filtra a luz natural que entra pela enorme claraboia existente na loja. O efeito da luz natural sobre o vidro colorido cria movimento para a imensa peça, que já se tornou símbolo da White Gallery.

Luz cria memória visual

Fachadas, vitrines e letreiros se transformam ao anoitecer. E é neste momento que a iluminação cumpre um papel muito importante. A arquitetura do prédio, em diversos casos, faz parte da identidade de uma marca e é ícone na construção de sua imagem. Muitos têm valor histórico, como os que abrigam a Le Bon Marché e a Printemps, ambas em Paris, assim como a Harvey Nichols e a Harrods (foto abaixo), em Londres.

A iluminação em suas fachadas molda as formas e acende a atenção não só para a arquitetura, mas também para a sua marca, por 24 horas. Os períodos de campanhas promocionais, em especial o Natal, são quando essas construções se transformam em grandes vitrines para as marcas.

Ponto focal

Seja em Tóquio, Barcelona, Londres, Paris ou Milão, a marca de calçados espanhola Camper utiliza o mesmo elemento chave para a exposição dos calçados: uma ilha central iluminada por luminárias pendentes – esta é a sua marca. Cada loja recebe um tipo de projeto criativo para dar destaque à iluminação. Pendentes em terracota foram desenvolvidos exclusivamente para a loja de Londres. Na de Paris, as luminárias vestem calças, bermudas e saias para dar destaque à mesa central de calçados. Já no caso de Tóquio, luminárias espelhadas pendem de um forro dourado.

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 30 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.

Nov
17

Visual merchandising + design visual

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Visual merchandising + design visual

Muito já se foi falado nesta coluna sobre a identidade de uma marca na arquitetura e no design de interiores de uma loja, ressaltando o design de mobiliário ou instalações, a iluminação e a personalidade que distinguem uma marca da outra. No entanto, as ferramentas do visual merchandising e do design visual também são fortes aliados para a transmissão das mensagens de valores de uma marca. A apresentação dos produtos é um ponto crucial para a sua imagem. Na maioria dos casos, os produtos podem ser organizados em grupos (por cores ou tipos), isolados (peças-chaves ou peças conceituais) ou co-relacionados (jeans e camisetas) dependendo da narrativa que se quer criar. Outras considerações como tamanho (underwear x blusões), quantidade para exposição e em estoque (araras x gavetas/prateleiras), preço (caro x barato),  segurança (jóias), serviços (demonstração) definem a apresentação do produto. Mas não é somente isto, a maneira como se planeja esta apresentação está relacionada à campanha – que pode ser um lançamento de um novo produto ou coleção, ou uma liquidação, ou uma data comemorativa,  etc… – com a identidade da marca. Isto significa dizer que a identidade estará também no merchandising que é a transformação do tom da marca em um modelo 3D através da relação dos produtos nos displays com os materiais gráficos de ponto de venda.

Para a Camper, especialista espanhola em calçados, o humor desempenha uma importante contribuição para a comunicação da marca e isto aparece nos seus produtos que são alegres, como o sapato da foto acima, e em toda comunicação gráfica nas lojas que incluem: sinalização, sacolas, caixas, brochuras e cartazes.

O design da embalagem é outro item que reforça a imagem que se deseja comunicar sobre o produto na exposição. Marcas de alimentos como chocolates e chás são experts neste assunto. As francesas Pierre Hermè, Ladurée e Maison Fauchon são exemplos disso.  Esta última, situada na Place de la Madeleine em Paris, é considerada uma das melhores boutiques de alimentos do mundo. Na loja, predomina a cor púrpura sobre o dourado, o preto, o cinza e o branco, e existe um especial cuidado com a disposição de seus produtos que se destacam pelas cores e formas de suas embalagens que, além de tudo, comunicam o seu caráter excepcional.

Os grafismos e cores nas embalagens não só contribuem na organização e na identificação de sabores de chocolates, madeleines e chás em vitrines e prateleiras, mas induzem a “comer com os olhos”.

Na vitrine com o tema “French to Eat”,  as embalagens nos tons dourados formam um famoso marco parisiense, a Torre Eiffel, sobre o “enigmático e doce” olhar da Monalisa.

Nos cartazes, os pecados da luxúria e da gula não representam culpa para se experimentar mais um doce.

Fotos: Divulgação e Noemi Saga (Maison Fauchon)

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 135 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.

Nov
8

Loja: um meio de expressão de marca

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Loja: um meio de expressão de marca

Um importante meio de expressão da marca é a loja. Nela são transmitidas a missão e a visão de uma marca, enfim, o seu DNA. Sua longevidade está intimamente ligada à equação entre seus valores construídos no passado com as ideias visionárias e ao entendimento dos desejos e das necessidades de uma sociedade contemporânea. E é aqui que entram as tendências. Na edição anterior, identifiquei e interpretei importantes tendências apresentadas na Euroshop 2011: os RE’s: REusar, REciclar, REnovar, REeditar, REpensar. Muito além de uma tendência, eles se configuram como uma atitude! Algumas empresas como a Timberland e a Aesop, por exemplo, já utilizam materiais reciclados em seus mobiliários, displays e arquitetura.

Loja da Timberland em Estocolmo, Suécia

Detalhe da australiana Aesop, que reutilizou cerca de 7.500 de seus icônicos frascos.

Já o REnovar está relacionado à tendência muito vista nos últimos tempos onde lojas se deslocam para bairros antes não comerciais e ocupam prédios antigos. A novidade é que ao invés de reconstruir, preservam sua história e dão novos valores para o local.

Tradicionalmente na Rive Droite, em Paris, a Hermès inaugurou, no final do ano passado, sua nova loja na Rive Gauche, no 17 Rue de Sèvres. Não somente um novo endereço para os exclusivos produtos, o espaço de 2.155 m2 abriga também a primeira coleção de móveis da marca, uma floricultura, uma livraria e uma sala de chá.

Construída 1935, a legendária piscina estilo art déco do Hôtel Lutetia foi reformulada pela agência RDAI (Rena Dumas Architecture Intèrieure).

Muitos elementos decorativos do local foram preservados e restaurados. E a memória do local inspirou na criação de novas formas e na composição cromática. A piscina foi coberta por uma laje de cimento e sua superfície original foi a referência para o novo revestimento composto por um mosaico cerâmico mate e pastilhas de vidro de tamanhos variados nos tons de cinza, azul, branco e ouro. A mistura de cores e o efeito do fosco e do brilho sugerem o movimento e os reflexos das águas.

O movimento fluido da água aparece em três “cabanas” que atingem 9 m de altura, no espaço de três andares. As “cabanas” construídas em ripas de madeira trançadas criam ambientes nômades transparentes. No mesmo material e também na forma orgânica, os guarda-corpos, junto com os corrimãos, revestidos em couro serpenteiam a escada de granito de 4m de largura que levam ao piso térreo.

A iluminação teve atenção especial. Durante o dia, a luz natural banha a loja através das imensas clarabóias no teto e as “cabanas” são iluminadas por dentro, criando um efeito de lanternas. Durante a noite, um sistema sofisticado de iluminação reflete uma luz âmbar no teto trazendo à memória o clima daquela era.

O store design reforça os valores da marca, e dentro das novas tendências, preserva e valoriza a história local que ainda temos para contar.

Fotos: Divulgação e Noemi Saga (Timberland)

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 134 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.

Nov
1

Euroshop traz grandes inovações para o varejo

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Euroshop traz grandes inovações para o varejo

Düsseldorf, na Alemanha, é a sede da maior feira da indústria de varejo no mundo – a Euroshop, que acontece a cada três anos e, desde 1996 traz inovações e tendências para o varejo. Sua 17ª edição foi realizada entre 26 de fevereiro e 2 de março.

A grandiosidade do evento também se comprova por números. São 2.038 expositores provenientes de 53 países reunidos em um centro de exposições de 200 mil m2, distribuídos em 1.800 espaços para exposição, e mais de 100 mil visitantes de 93 países.

A feira dividiu-se em quatro grandes setores; o chamado de EuroConcept apresentou inovações, criatividade e variedade de soluções em equipamentos de lojas, mobiliários, iluminação, arquitetura, design de lojas e equipamentos de refrigeração.

O setor EuroSales concentrou produtos e informações sobre experiência de compra, visual merchandising, promoções de vendas e marketing no ponto de venda. Já no terceiro setor, o EuroCis, estavam as soluções em sistemas de segurança e tecnologia de informação. EuroExpo, o último, era o setor voltado para os sistemas de construção de estandes, design e eventos especiais.

Por aí já se pode perceber a qualidade e a quantidade de novidades, informações e novas tendências que a indústria global pode agregar para o futuro próximo do nosso varejo.

As principais mudanças de tendências da última edição em 2008 para esta, baseiam-se na preocupação com a sustentabilidade.

 

O gráfico apresenta o deslocamento das principais tendências identificadas na Euroshop edição 2008 (em laranja) para a edição de 2011 (em verde).

Nesta onda verde a ordem do dia se resume nos importantes REs: Reusar, Reciclar, Renovar, Re-editar, Repensar .

Para o store design são estas atitudes que direcionam para utilização de elementos naturais, de produção artesanal ou que a sugiram, enfatizando o reuso de materiais existentes no local, valorizando a história da construção (se existir), e dando novos usos para objetos do passado.

Estande da Vizona construído em madeira bruta empilhada como paletes

 

Detalhe do estande 

 Os acabamentos são foscos; as formas orgânicas e linhas fluidas refletem uma era menos áspera.


Formas orgânicas

Efeito de luz e sombra no estande da Plus Light Tech

 Os ambientes sensoriais valorizam o contato humano e induzem a vivenciar uma experiência na loja analógica que perdia espaço para o ambiente digital das compras online. A iluminação é um forte aliado para promover esta experiência. A tecnologia do LED avança cada vez mais e possibilita, em um toque,  criar diversas temperaturas e cores transformando o clima do ambiente. O estande da Plus Light Tech, por exemplo, utilizou a sombra para mostrar o poder da luz como recurso sensorial.

Acima, dois exemplos de comunicação em giz

Em alguns estandes, o gestual agregou na hora de comunicar o caráter natural dos produtos apresentados.

Detalhe do pop up 

O visual do estande da italiana Arneg enfatizava as vantagens sustentáveis de seus novos equipamentos de refrigeração. A cor verde foi usada nos vários elementos visuais como móbiles, imagens de folhas maximizadas na comunicação visual aérea e para substituir os tradicionais produtos dentro dos refrigeradores, a opção foi por embalagens pop-up feitas de papelão.

Os manequins, que na edição anterior eram realistas e quase se passavam por modelos humanos, agora se apresentavam dramáticos em poses performáticas, chegando ao extremo de uma escultura de arte.

Nas instalações de lojas, os equipamentos modulares de parede se renovaram através dos sistemas horizontais com calhas eletrificadas possibilitando a iluminação dos acessórios como prateleiras e araras. Os nichos quadrados também podem ser encaixados nestes sistemas para destacar diferentes famílias de produtos ou apenas um. Já os sistemas aéreos liberam a circulação e flexibilizam mudanças no vitrinismo.

 

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design,
que visitou e levantou na Euroshop as últimas tendências para varejo.
Esse texto foi publicado na edição 133 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.
Fotos: Noemi Saga

Oct
27

Como no cinema…

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Como no cinema…

Que muitos clássicos do cinema influenciam o design de  vitrines, isto não é novidade. Mas o interior das lojas inauguradas recentemente são muito mais que inspirações trazidas de cenários e cenas de filmes. Sejam de ficção científica, suspense, romance, drama, aventura ou animação, os estilos misturados a uma boa dose de surrealismo, transportam o visitante a mundos recriados.

Brave New World

A Opening Ceremony de Tóquio pode ser considerada a reformulação total das tradicionais lojas de departamentos, através do conceito ‘boutique como um mini mall’. A primeira loja da marca fora dos Estados Unidos localiza-se em Shibuya e tem 1.858 m² distribuídos em 8 andares, cada um com tema diferente e merchandising exclusivo. Entre as marcas e designers estão Alexander Wang, Other Music, Nom de Guerre, Chloë Sevigny, Pendleton, Peter Jensen, The Row, etc.

Com as informações dos designers responsáveis pelas marcas, a americana Commune Design criou vários níveis repletos de mundos diferentes e sem fronteiras definidas separando um do outro. A inspiração principal é a cultura americana que figura com seus parques, os clássicos lares americanos com a arquitetura vitoriana, a herança indígena e os artesanatos dos nativo-americanos. O primeiro andar é ‘a casa sem paredes’; o terceiro, ‘a cidade do futuro’, com divisórias reflexivas em forma de diamante; e o quarto, ‘a casa com móveis de aglomerado’. Criaturas exóticas como lhamas e avestruzes “desfilam” pela loja ao lado de animais da fazenda, como os porcos e cavalos, servindo como displays expositores.

 

Ainda em Tóquio, no bairro Aoyama, Nature Factory é o nome da instalação na Diesel Denim Gallery criada pelo escritório Suppose Design. Os 65 m² da loja foram invadidos por tubulações industriais de PVC que se elevam multiplicando-se em galhos até o teto e se entrelaçam como videiras. As dramáticas sombras produzidas pelos galhos são reais ou simplesmente pintadas pelas mãos do artista Shuhei Nakamura.

Alice no País das Maravilhas

Aos 102 anos, a loja de departamentos Selfridges, localizada na Oxford Street em Londres, renova os 2.400 m² do 3º piso para atrair desde os teenagers até os post-Boomers com uma seleção de 64 marcas renomadas de jeans e moda contemporânea criadas por jovens estilistas britânicos e americanos.  Agora chamado de 3rd Central, o espaço não tem a estrutura de uma loja de departamentos e está mais para uma galeria de arte com suas instalações flexíveis o bastante para acompanhar as mudanças das tendências da moda. O escritório londrino FAT (Fashion Architecture Taste), responsável pela transformação, dividiu o espaço em 03 áreas.

A primeira é uma parede de 26m de jeans – a maior da Europa. Um trio formado por árvores feitas de tubos de metal e madeira emoldura com um emaranhado de galhos as extensas prateleiras de jeans em amarelo que se unem com o ‘supergrafismo’ também amarelo no piso. A área reservada aos Básicos é simples e bem-humorada. Elementos desproporcionais no estilo dos que aparecem no filme Alice no País das Maravilhas servem de expositores, como os ‘máxi-cabides’ que funcionam como uma arara de teto. O espaço Contemporâneo, que lança jovens estilistas, é delimitado pelo trecho em resina laranja no piso. Tubos cromados muito polidos contornam o espaço de cada estilista.

Famosa no mundo da moda, a sueca H&M lançou sua primeira coleção de roupa para casa, a H&M Home. Inicialmente uma loja online, ela agora se movimenta para uma série de lojas físicas. A  Home Reflections, primeira instalação em Estocolmo, Suécia, reflete o mundo através de um espelho e explora as relações sempre mutáveis entre a identidade e estilo. A combinação de espelhos e móveis suspensos nos faz lembrar de uma cena da história de Alice no país das maravilhas em que a menina cai no buraco do coelho e vê tudo de cabeça para baixo. O efeito foi criado através de impressão P&B de imagens de móveis sobre chapas de MDF recortadas e montadas para formar um 3D. Uma mesma montagem foi unida invertida como uma imagem espelhada. Cada lado, porém, demonstra um estilo diferente com produtos à venda na loja, por exemplo: almofadas coloridas de um lado e neutras de outro. Cada conjunto foi pendurado à meia-altura e espelhos foram posicionados no piso e no teto proporcionando novos ângulos de visão e diferente experiência de compra.

The End

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.
Esse texto foi publicado na edição 31 da revista World Fashion + Varejo, na coluna + Sua loja.