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Dec
7

Os Futuristas

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Os Futuristas

Incríveis propostas surgem associando a tecnologia ao conceito das marcas, levando informação ao consumidor de forma totalmente inovadora.

A tecnologia traz novas possibilidades no dia a dia do homem, na indústria e novas formas de expressão artística.

Da tecnologia digital, o mundo virtual saindo do computador, torna-se tangível no ambiente físico. Podemos experimentar fisicamente o que antes víamos na tela do monitor.

TEAMLAB

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Um belo exemplo desta experiência é a instalação interativa chamada Floating Flower Garden (Jardim das Flores Flutuantes) da TeamLab, liderada pelo japonês Toshiyuki Inoko.

Esta instalação que ocorreu em setembro, durante a Maison&Object em Paris, consistia em 2.300 flores naturais suspensas no teto e programadas para subir e descer de acordo com o movimento do visitante.

O varejo que vive em constante renovação também se apropria da tecnologia digital para criar novas experiências aos clientes. A intenção é fazer do espaço de varejo um lugar de entretenimento e novas experiências sensoriais com uma boa dose de arte e tecnologia. Levando o usuário à uma viagem no tempo e no espaço.

MELISSA

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Na Galeria Melissa em Covent Garden, Londres o designer brasileiro Muti Randolph utilizou a tecnologia do LED para criar movimento, cor e iluminação e transpor o visitante para um cenário sci-fi de um filme.

Já na entrada uma instalação cinética formada por uma série de 21 caixas acrílicas suspensas que suavemente sobem e descem criam diferentes composições durante o dia. Cada caixa expõe uma Melissa iluminada por um sistema de LED chamado Applelec que fica instalado no topo interno de cada caixa.

Na sala maior, uma outra instalação em forma de U cria um túnel repleto de fog, neste caso digital. O túnel formado por 3 painéis brancos e espelhados que se tornam transparentes ao capturar o movimento do cliente. O fog digital é produzido por um software que alterna entre a opacidade e a transparência; a reflexão e a visibilidade produzem uma sensação de ilusão e confusão.

Por trás do painel de vidro espelhado existem 64 aberturas com a exposição das sandálias que aparecem e desaparecem ou tem sua iluminação dimerizada para criar focos em determinadas composições.

O Futurismo pode também estar presente nos ambientes de maneira mais simbólica, como nos materiais que remetem a um espaço high-tech, ou nas formas inspiradas na ficção científica e assim aguçar a imaginação do visitante.

ACNE

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Com predominância do aço inox nas superfícies do interior da loja Acne em Estocolmo, Suécia ressalta a futurística instalação luminotécnica. E em conjunto com a forte presença do monolito branco passa a sensação de estar no interior de um avançado laboratório tecnológico.

LC-CC (Late Night Cameleon Cafe)

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LC-CC é em espaço de varejo com uma curadoria de moda, literatura e música, além galeria de arte e um clube. A loja conceito situa-se no bairro de Dalston, em Londres e cinco anos após sua criação, acaba de passar uma nova transformação. Mas sempre mantendo o ambiente sensorial onde o visitante transita pelas diversas salas passando por instalações como o túnel -antes em madeira- recebeu cor branca e iluminação de LED e espelho. Seria um túnel do tempo?

 

 

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 151 da revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

Dec
7

Estrategicamente Coloridos

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Estrategicamente Coloridos

As cores já provaram seus efeitos sinestésicos e para o store design é elemento de composição indispensável para chamar atenção para lojas e suas vitrines.

Confiram as soluções fantásticas onde o uso da cor não é nada gratuito, pelo contrário: a cor é utilizada estrategicamente para reforçar imagem de marca, valorizando temas de campanhas.

CALEIDOSCÓPIO

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Impossível desviar o olhar da vitrine da flagship da Babor em Hamburgo, Alemanha.

Para a campanha de lançamento da Babor Fluids, uma linha de produtos de cuidados para pele, a agência de marketing e comunicação visual Dfrost criou um display, com as ampolas coloridas da Babor no centro e formando um redemoinho, posicionou diversos bastões de vidro multicoloridos criando um efeito de perspectiva como um caleidoscópio. As cores luminosas dos bastões mimetizam as cores dos ingredientes ativos concentrados da linha de produtos contidos nas ampolas, reforçando a imagem do produto.

Solução brilhante e coloridíssima para chamar atenção de produtos tão minúsculos

THIN THIN THIN

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Para o lançamento de um dos itens da coleção outono 2014 – o ‘extra fine merino’ – da marca de roupas japonesa Uniqlo, a designer francesa baseada em Tóquio, Japão, Emmanuelle Moreaux criou a instalação que chamou de ‘Thin, Thin, Thin’.

Fino, fino, fino, é o fio de lã merino que tem 1/5 da espessura de um fio do cabelo humano o que resulta num fio
suave e delicado. Tomando isso como ponto de partida, a designer que é conhecida pelo uso de cores fortes e vivas que emprega como meio para definir arquitetonicamente os espaços que trabalha, criou vitrines radiantes.

Na loja no bairro de Guinza, em Tóquio, a vitrine interna da loja utiliza 2.420 fios de 60 diferentes tons de cores que se cruzam do chão ao teto formando um volume tridimensional entre os manequins.

Os tons de granada, cáqui e mostarda foram escolhidos para trazer o ar do outono na composição.

A leveza dos fios suspensos como se não houvesse gravidade é uma metáfora da leveza do fio de lã merino existentes nas roupas da coleção vestidos nos manequins.

Os coloridos e finos fios em contínuo efeito de refração e reflexão, multiplicando-se infinitamente, cria uma ilusão ótica como se estivéssemos dentro de um mundo microscópico do novelo de lã extra fino merino.

COLOURFUL WIND

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Esta não foi a primeira colaboração de Emmanuelle Moreaux para a Uniqlo. E as cores novamente foram protagonistas na vitrine do lançamento de um linho para as roupas da coleção de Primavera 2014. Com o tema de Colourful Wind, Moreaux criou uma instalação para as lojas Uniqlo para expressar uma brisa da primavera colorida e refrescante que deriva da sensação respirável e fresca de linho, bem como a sua textura macia e suave.

Milhares de fitas em 100 diferentes tons de cor flutuavam sobre os manequins.

Os ventiladores instalados no piso faziam com que as fitas coloridas movimentassem suavemente. Isto dá a sensação de estar na brisa da primavera. O movimento suave e o balanço do volume flutuante de cores expressa o início da nova temporada e o ‘vento colorido’.

O teto espelhado da loja replicava o efeito das cores.

SUMMER LOVERS

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Rotate é uma pop up store que acontece em Sydney e em Melbourne na Austrália sob a curadoria de produtos feita pela equipe do site The Cool Hunter.

Produtos, decoração e temas da pop up terá vida útil de apenas 8 semanas para se renovar tudo novamente. Este é o conceito deste projeto: Sempre novo, sempre diferente, sempre mudando.

A pop up store com o tema Summer Lovers é muito colorida, vibrante e divertida como o verão.

No interior neutro da loja com pé direito alto de paredes brancas e piso de parquet, o destaque está nos suportes de cores vivas para exposição dos produtos.

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 150 da revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

 

May
18

Elogio da Sombra

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Elogio da Sombra

No varejo, a luz é valorizada por destacar produtos e criar cenas.

E a sombra produzida pela luz? Poderia ser um elemento de composição para criar soluções de visual merchandising?

SIM! Confiram como, na loja Smets e em duas lojas da Aesop.

Smets Bélgica

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Na Smets Premium Store, uma loja de produtos de moda, arte, design e gastronomia em Bruxelas na Bélgica, a iluminação dramática transforma o display de acessórios.

O display é muito simples, mas a gradação de intensidade da luz, cria sombras em camadas que desenham a parede, chamando atenção para os produtos do setor.

Aesop Kyoto

As lojas da Aesop -marca de cosméticos- são melhores exemplos de extensão de marca. São sempre incrivelmente surpreendentes e originais.

Na loja em Kyoto no Japão, criada pelo estúdio japonês Simplicity, elementos de diferentes princípios artísticos japoneses e de vários períodos foram aplicados no interior da loja. O store design foi inspirado no ensaio “In Praise of Shadows” (Elogio da Sombra) do romancista Junichiro Tanizaki; nas casas tradicionais de Kyoto e no alinhamento vertical dos textos em japonês.

No ensaio filosófico de 1933, Tanizaki utiliza a luz e a escuridão para comparar as culturas ocidentais e orientais. As formas sutis e suaves da arte e literatura orientais valorizam a sombra e sutileza, intimamente relacionada com o conceito tradicional japonês do wabi-sabi (arte da impermanência).

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Na loja de paredes brancas, painéis de tecido preto transparentes separam áreas da loja. Por trás dos painéis, frascos de produtos para cuidados da pele e do cabelo estão dispostos em colunas, fazendo referência à forma vertical da caligrafia japonesa. Ao entrar na loja, sombras destes frascos através dos painéis, intensificam com sutiliza a metáfora criada pela sombra.

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Na fachada branca, num suporte horizontal cinza, destacam-se 03 frascos símbolo da marca.

 

Aesop Hong Kong

 

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Lanternas flutuantes inspiraram a criação da instalação da marca em Hong Kong. Oito centenas de caixas de resina dispostos no topo de hastes de aço de tamanhos variados, criam a sensação de que cada unidade ascende no seu próprio ritmo, como se estivessem sendo atraídas para cima por fios invisíveis.

A luz e sombra multiplica ainda mais o volume da composição.

O conjunto de lanternas foi encoberto por um tecido translúcido, apenas do lado aberto para a rua. As sombras através do tecido criam silhuetas de uma paisagem. A iluminação torna-se sutil criando uma atmosfera intimista interrompendo o ritmo da vida de rua e do entorno de varejo.

 

“A beleza não repousa no objeto, mas na interação entre sombra e luz criada por ele”. (Junchiro Tanizaki).

 

 

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 148 da revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

 

Feb
6

PDV: Uma Estratégia Para o Mercado da Moda

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on PDV: Uma Estratégia Para o Mercado da Moda

Existem diversos modelos de ponto de venda como: franquia; concessões; licenciamento; outlet (loja de fábrica); flagship store (loja conceito); stand; showroom. Os formatos tem se tornado cada vez mais inovadores como as pop up stores (lojas temporárias) e na internet com lojas virtuais e clubes de vendas com produtos promocionais para associados.

Com o advento das vendas pela internet, o chamado varejo on-line, levar o produto para mais perto do consumidor já não é o maior desafio para as marcas de moda. Mas a grande cartada dos estrategistas das marcas é, saber escolher dentro dos modelos de ponto de venda, quais são os mais adequados e, como aliar todas estas alternativas para se apresentar, ganhar e fidelizar novos clientes.

G-Star

Vejamos alguns modelos de pontos de vendas adotados pela marca holandesa G-Star que comemora em 2014, seus 25 anos sempre focados no design de seu jeans. Trabalhando sob o mesmo teto, dentro do recém inaugurado QG de 27.500m2 em Amsterdã, todas as equipes de criação respiram o mesmo DNA da marca para criar os produtos de moda, as lojas, as embalagens, as campanhas, etc. Desta forma, consolida a sua identidade em todos seus pontos de contato com o público. A G-Star Raw trabalha com um sistema de multiplataforma de vendas e ressalta a importância de todos eles.

Varejo on-line

O varejo on-line é global, não restringe territórios, além de possibilitar ao consumidor, a compra em qualquer hora sem sair da sua casa. Através de seu site, a G-Star comercializa seus produtos diretamente com clientes de mais de 50 países. Além de uma canal de vendas, o site é uma ferramenta de comunicação importante, apresenta toda a filosofia da marca, seus lançamentos e campanhas, como por exemplo sua recente coleção Raw For the Oceans com a curadoria do cantor Phrarrel Williams. A coleção eco-friendly foi feita a partir de plásticos reciclados retirados dos oceanos para a confecção de seus jeans.

Por outro lado, experiência de marca se faz muito mais fortemente nos pontos de venda físico e permite a sinergia com os clientes.

Franquias

As lojas de franquias permitem ao varejista, expandir sua marca para os mais distantes territórios com um investimento menor: as lojas e produtos são investimentos de um franqueado que conhece o mercado local. Já para o franqueado a vantagem é de trabalhar seguindo um modelo bem estruturado e com produtos reconhecidos no mercado.

A G-Star está presente no mundo através de centenas de lojas mono marcas próprias e franqueadas. Para crescer e ser conhecida no mercado internacional, a presença de lojas físicas em diversos países tem importância estratégica.

Concessão

As concessões funcionam muito bem para as grifes, e também implicam em um investimento bem menor do que a formatação de uma loja para os estilistas. Definidas como store in store ou loja dentro de uma outra loja, as concessões se realizam, normalmente dentro de uma loja de departamentos, por exemplo.

A G-Star vende oficialmente no Brasil através deste sistema store in store oferecendo seus produtos nas lojas físicas da Mandi.

Flagship

Este modelo de ponto de venda tem o poder de transmitir o conceito e levar a experiência da marca para o consumidor. No ano de 2000, quando as mais diversas marcas despontavam suas primeiras flagships pelo mundo afora, a G-Star lançou em Lyon, na França a sua 1ª flagship. Hoje, a marca continua expandindo-se com este modelo de loja, marcando presença em mercados importantes como na Ásia.

Com 680 metros quadrados divididos em dois andares, a nova loja Hong Kong é uma das maiores loja da G-Star.

A fachada foi construída a partir de uma dupla camada de chapa de aço corten inteiramente recortado com o padrão personalizado da G-Star. Este material reveste mais de seis andares de altura, e de dia a natureza bruta do aço contrasta com os edifícios de concreto, e de noite, a sua iluminação “lava” toda a sua superfície, transformando-se numa lanterna visível de longe.

O visual ‘enferrujado’ do aço corten em camadas e o recorte são interpretações de como a equipe de criação trata o seus jeans. Eles buscam num jeans rústico, o desafio de torná-lo 3D, através dos tratamentos nas lavagens, recortes, costuras, arrebites e sobreposição de camadas.

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Fachada da flagship em Hong Kong 

Estúdio Itinerante

 Parece uma pop up store, pois aparece num lugar e logo desaparece, mas neste conceito criado pela G-Star tem uma grande diferença. Eles criaram a RAW Tailor Atelier onde uma equipe de alfaiates e o ateliê estão à disposição do cliente para personalizar um jeans da linha Red Listing com os botões, etiquetas e rebites da sua escolha. Em 20 minutos, o cliente terá um jeans da G-Star com o seu olhar.

O RAW Tailor Atelier pode surgir a qualquer hora em alguma parte do mundo.

 

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Estúdio itinerante da G-Star

Stand

O stand é uma forma de ponto de venda efêmero em feiras especializadas, porém com grande potencial de venda, baixo custo e para equipe de vendas, um intenso contato com novos lançamentos da marca e com o público. As feiras trazem um feedback muito rápido sobre o produto e uma oportunidade de ver e repensar sobre o futuro da marca.

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Segundo o diretor do departamento de design e desenvolvimento da G-Star, Pieter Kool sobre a combinação do ponto de venda on-line e offline: “Nenhum deles pode substituir o outro completamente, mas sendo trabalhados juntos de forma complementar, ambos podem desfrutar de um mercado saudável. Muitos gostam de comprar um jeans on-line, mas outros preferem provar antes numa loja. E se você abraçar esta sinergia, a internet torna-se um enorme guia para aumentar o tráfego para a loja.”

O modelo de ponto de venda é importante, e muito mais importante é manter a identidade da marca em qualquer um deles.

 

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 147 da Revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

Sep
24

Moda, Arquitetura e Design Sob Holofotes

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Moda, Arquitetura e Design Sob Holofotes

Nessa edição, trazemos boas propostas brasileiras reconhecidas lá fora, ao lado de um nome já consagrado no mundo fashion. Em comum a todos está o foco na identidade e em valores culturais.

O Design Museum em Londres anunciou 76 indicações ao prêmio de design do ano de 2014, nas categorias de arquitetura, produto, móveis, moda, gráfico, digital e transporte. Todos os projetos estarão expostos no museu de 26 de março a 25 agosto de 2014.  O vencedor de cada categoria e o vencedor de todas serão anunciados no fim deste ano.

No que se refere à arquitetura e à moda, nos enche de orgulho três indicações, sendo que duas delas são os projetos brasileiros Praça das Artes em São Paulo projetada pelo escritório Brasil Arquitetura e a coleção de inverno 2014 do estilista mineiro Ronaldo Fraga. A outra que também é tema da nossa coluna é a fachada da loja Paul Smith em Mayfair, Londres.

Mesmo pertencendo às categorias diferentes, em comum apresentam referências da história local e usos de materiais considerados rústicos ou brutos e que paradoxalmente nos trás sensação de leveza, de acalento, de conforto sem falar nos detalhes estéticos refinados, o que os tornam tão contemporâneos.

Praça das Artes

Vejam o projeto de expansão da Praça das Artes, situado numa região central da cidade sofrida pelo declínio econômico por décadas. O prédio histórico é a memória física e simbólica da cidade do final do século 19  para o início do século 20  e abriga o Conservatório Musical antes mesmo da existência do teatro Municipal na região. Mantido e restaurado, foram incorporados a ele, grandes volumes de concreto, elevados do nível da rua para criar espaços públicos acessíveis com passagens que interligam as três ruas que fazem suas fronteiras: uma praça de verdade. Um lugar que reúne pessoas para desfrutar de dança e de música.

 

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O Sertão de Ronaldo Fraga

Uma paisagem única do sertão brasileiro, a caatinga, inspirou a coleção de inverno 2014 do estilista Ronaldo Fraga através da aparência rústica do couro e dos tons terrosos para os esverdeados dos cactos, amarelos e alaranjados solares, além do azul do céu.

O couro com arranhões e marcas causados pelos galhos secos e cactos, normalmente,  desprezado nos curtumes, se tornam estampas naturais nas peças que se traduzem femininas pelo desenho do estilista.

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Fachada de Paul 

A loja Paul Smith, situada na 9, Albemarle Street foi ampliada com junção do prédio vizinho e a fachada revestida de ferro fundido…  É de tirar o fôlego!

Paul Smith queria que a sua loja refletisse o contexto do entorno na área de conservação da histórica Mayfair.

Pensando nisto, os arquitetos da empresa britânica 6A Architects, resolveram utilizar um material muito tradicional e familiar em Londres, presente discretamente nas ruas da cidade: o ferro fundido que aparece em muitos equipamentos urbanos como trilhos, tubulações, grelhas, varandas e postes de iluminação. Estes, são todos ainda moldados em fundições fundadas há mais de 100 anos e que até hoje empregam técnicas tradicionais que foram desenvolvidos na Idade do Bronze.

A fachada foi recoberta por um padrão sinuoso de círculos entrelaçados que foram fundidos em chapas de ferro, tornando-se uma balaustrada aberta através janelas do primeiro andar. Ele reinterpreta e abstrai a rusticidade da construção georgiana e a linguagem ornamental esculpida na fachada de loja do século 18.

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Através da repetição desta forma típica do período da Regência, o padrão criado ganha complexidade óptica com o jogo de luz e sombra transformando-se em uma textura de superfície profunda. Esta superfície é ainda valorizada por marcas do processo de  fabricação comuns na fundição e a pátina natural do ferro fundido.

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Janelas curvas se projetam entre as texturas do ferro escuro formando vitrines luminosas. Os outros andares da fachada foram pintados de preto para mimetizar a construção vizinha.

Na entrada da loja, os painéis de ferro fundido formam uma curva para dentro em direção a porta de carvalho manchado que fica recuada, fazendo referência ao molde e leito de areia preparada para o metal fundido.

Um degrau de ferro delicadamente curvado evoca passos do passado. Com o tempo, a entrada de ferro vai se polindo sob o pé, registrando a vida do edifício em seu material.

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Nas roupas criadas por Paul Smith existe o elemento surpresa sempre a ser encontrado, muitas vezes como um detalhe. Na fachada também há detalhes sutis: o trio de pequenos desenhos de Paul fundidos diretamente em painéis espalhados pela fachada. Descubram um gato, uma bota e um pássaro.

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O interior de três  andares tem  três áreas principais. Cada uma com sua peculiaridade de sensação. E é aqui que encontramos os mínimos detalhes pensados por Paul Smith.

A área das mulheres é espaçosa, inspirado em um mix entre a rica história da arte de Mayfair e estúdio da artista e escultora Barbara Hepworth. Racks esculturais expõem as coleções de roupas e armários exuberantes exibem os acessórios. As paredes do departamento de sapatos são uma injeção de diversão, decorado com mais de 26.000 peças de dominó!

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A área dos homens tem estilo modernista e masculino com móveis feitos em bronze e madeira bruta em forma orgânica. Smith se orgulha do piso de limestone e blocos madeira com os nós e veios bem aparentes. Um arco de ferro preto exibe a alfaiataria e ao fundo três janelas amplas dão vista para um pequeno jardim.

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A área de mobiliário tem um estilo de galeria com paredes brancas e piso de limestone. Este espaço é bastante flexível para poder, durante o ano, exibir tesouros únicos e inesperados; algumas peças originais e alguns que recebem um novo sopro de vida com um tecido de Paul Smith.

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O edifício recebeu outra característica vibrante: uma escadaria cor cobalto e verde brilhante. Como se fosse uma passarela suspensa,  essa escada cria uma divisão entre as áreas.

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As vitrines são mudadas frequentemente e apresentam roupas, arte e mobiliário.

Brasileiros na arquitetura e na moda, e uma loja entre os indicados no Design of the Year 2014.

Aplausos!!!

 

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 146 da revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

Jun
5

Necessária Renovação

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Necessária Renovação

Ao unirem-se à arte, grandes marcas globais da moda inovam e valorizam seus pontos de venda e o próprio discurso de comunicação.

No mercado da moda, a tradicional cadeia formada entre os produtores de matéria-prima, indústria têxtil, fábricas confeccionistas, criadores de moda, ponto de venda e consumidor final já não é mais a mesma. Podemos dizer que a constante busca por renovação, característica básica da moda, traz sempre muitas novidades como em novas tecnologias de matéria-prima, métodos ou máquinas inovadoras na produção, novas estratégias de renovação da marca, além de tendências que precisam ser COMUNICADAS ao público final.

Comunicar tantas informações técnicas de maneira criativa e surpreendente para chamar a atenção e despertar o desejo não é nada fácil.

E não são mais as mesmas as maneiras de transmitir tantas novidades.

Hoje, o que percebemos, mais do que nunca, unidos a esta cadeia existe sempre a figura dos super-geniais-talentosos-criadores.

Já vimos as parcerias de sucesso entre a Louis Vuitton com os artistas plásticos japoneses Takashi Murakami e Yayoi Kusama, aumentando a popularidade e rejuvenescendo da marca.

Designers, artistas plásticos, arquitetos e estúdios criam incríveis ambientes de lojas, como as flagships, cenários para desfiles e vitrines.

Ambientes  que comunicam!

 

REALTY LAB

Reality Lab Project Team é o nome da equipe de pesquisa e criação de produtos da marca Issey Miyake e liderada pelo estilista homônimo.

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No projeto da loja Reality Lab Issey Miyake, em Tóquio, o arquiteto e designer japonês Tokujin Yoshioka brincou com a ideia de laboratório: transmitindo na experiência de compra uma viagem aos conceitos da marca e assim torna os produtos em si, mais que especiais!

 

NIKE

Para divulgar a coleção Tech Pack, vestuários de alta performance com proteção térmica, a Nike contratou o estúdio WeShouldDoItAll para criar instalações com tema: “Warmth Without Weight”, algo como calor sem peso.

Foram criadas instalações expostas em duas lojas de NYC. Uma  na loja de 582m2, na estação Moynihan, e outra na flagship da Nike de 74 m2.

As duas instalações são displays baseados em noções de leveza, camadas e calor.

 

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O conjunto consistia de um cubo de acrílico vermelho (=calor) transparente extrudado (=leveza), fatiado, e as fatias  distanciadas uma da outra para formar uma série de vitrines de dupla face com 3,6 de altura cada uma.

O interior das vitrines que foram iluminadas por lâmpadas recobertas com gel na cor vermelha combinado ao restante do ambiente monocromático em preto com piso brilhante e cortinas escuras, davam a sensação que as jaquetas penduradas por fios transparentes, flutuavam.

 

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A instalação era como se um grande bloco tivesse sido rompido em várias fatias, revelando produtos impecáveis, que resistiram intactos a ação do mais quente dos testes!

 

Diretores de criação, estilistas e fotógrafos juntos na produção de campanhas. 

Quem é Mario Testino?

 Nos anos de 1970, essa indagação foi feita pelo então editor da revista francesa Marie-Claire. Na época, Mario Testino estava no início de sua carreira… Mas hoje, a resposta é fácil!

 Mario Testino, Kate Moss, London, 2006

 

No mês março, o museu MALBA em Buenos Aires, inaugurou a exposição do peruano Mario Testino, um dos fotógrafos mais influentes no mundo da moda internacional. Em agosto, será a vez de São Paulo receber suas inconfundíveis imagens. Fotos que fizeram parte de campanhas publicitárias de marcas de moda que estampam fachadas, interiores de lojas, outdoors e revistas entre elas Vogue e Vanity Fair, agora serão expostas em museus. Isso prova que a moda, quando se liga à arte, encontra o mais alto nível de comunicação.

 

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 145 da revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

Apr
22

Dicotomias no mundo da moda

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Dicotomias no mundo da moda

No fértil campo da moda, inovar é mais do que necessário, pois faz parte da dinâmica da criação, do business e da arquitetura das marcas.

Após dez anos de atuação no mercado da moda, a dupla Lazaro Hernandez e Jack McCollough, designers e fundadores da Proenza Shouler, abriram em abril de 2012, a primeira loja da marca. Seria possível  descrevê-la como a “loja das dicotomias”…

 

DICOTOMIA 1

INTERIOR VERSUS EXTERIOR DA LOJA

Projetada pelo arquiteto David Adjaye, a loja situada entre as consagradas marcas de luxo como Dolce Gabanna, Jil Sander, Celine, Chanel e Oscar de La Renta na Madson Avenue, em Nova Iorque, combina, em oposição à requintada e elegante rua, materiais rústicos, duros e pesados no seu interior.

DICOTOMIA 2

MATERIAL BRUTO E ESCURO VERSUS ELABORAÇÃO OBSTINADA COMO SUPORTE

A madeira é bruta e escura, mas impecavelmente alinhadas. Assim, ocultam luminárias no teto, além de se transformar em grandes biombos que suportam prateleiras para os produtos leves e coloridos da marca.

ProenzaShouler_Madeiras_blog

DICOTOMIA 3

PRESERVAÇÃO VERSUS  INOVAÇÃO NA FACHADA

Com intuito de preservar fachada da construção antiga – e na contramão da tendência das enormes vitrines que atingem até o limite de dois andares…. -, as pequenas e baixas janelas nos 02 pisos da loja foram mantidas e utilizadas como vitrines. E o que poderia ser uma barreira tornou-se ponto de partida para fazer surgir  criativas ‘vitrines-cabines’ que lembram muito instalações, tão comuns no campo da arte. Imaginem: a bolsa PS1 da coleção aparece encravada em um grande bloco de gelo que aos poucos se desfaz aos olhos dos transeuntes. Enquanto isso, a caixa que suporta a instalação se enferruja… Longe de uma vitrine de moda.

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DICOTOMIA 4

MATERIAL PESADO E OXIDADO VERSUS LEVEZA E DRAMA NA ENTRADA

Se as “vitrines-cabines” são diminutas, embora notáveis, o frontal da Proenza Shouler  exibe o portal  que constitui, este sim, o verdadeiro convite a entrar. A imensa chapa de aço oxidado, instalado na altura dos dois pisos da loja, torna-se visualmente muito leve, graças aos recortes que criam um dramático jogo de luz e sombra, formando uma interessante geometria sobre o piso de concreto cinza.

 

DICOTOMIA 5

MATERIAL RÚSTICO VERSUS BRILHO NO PÁTIO E NO PISO SUPERIOR

Este espaço, chamado de “pátio” pelo arquiteto David Adjaye, possui o pé direto duplo e as paredes de tijolos aparentes. Um rigoroso estudo e pesquisa foram feitos para que o visitante não percebesse a transição do tom de cinza da calçada empoeirada com o piso acabado em concreto do seu interior. A semelhança se encerra na cor quando o piso se torna polido, e rústicos cactos plantados em grandes vasos dão o tom do que se vê adiante, no interior da loja.

No piso superior, parede e piso foram revestidos por placas de concreto pré-moldados. Este material utilizado como base em construções, na Proenza Shouler se torna um fino acabamento com seu intenso polimento.

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DICOTOMIA 6

LUXO VERSUS CASUAL

Na verdade esta seria a primeira dicotomia da marca. Pois está no DNA de seus produtos.

Desde o seu início, a etiqueta da dupla sempre teve grande aprovação e o trabalho dos designers tem exercido um papel importante para revigorar o mercado da moda americana com criações que fundem o trabalho artesanal e atenção aos detalhes com a inspiração na arte e cultura jovem contemporânea. Tais características dicotômicas para o luxo, definem a marca e está presente no conceito do seu Store Design, onde a rusticidade versus a elaboração e atenção aos detalhes andam juntas.

 

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 141 da revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

 

 

 

 

Apr
14

Pontos de venda contam incríveis histórias

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Pontos de venda contam incríveis histórias

Como transmitir em um espaço físico -A LOJA- a rica história de uma marca que foi construída como num conto de fadas?

Por trás da etiqueta americana de jeans Raleigh existe uma fascinante história de construção de marca onde o produto é trabalhado até o extremo da produção artesanal.

 

ERA UMA VEZ…

Em 2007, um casal de estudantes colegiais da Carolina do Norte, EUA adquiriram duas máquinas de costuras e começaram a produzir em seu pequeno apartamento, peças de jeans artesanalmente. Em pouco tempo, em 2009, Victor e Sarah Lytvinenko já estavam fazendo sua primeira entrega para a Barneys, em Nova York.

Conhecida pela tradição na produção de denim, a Carolina do Norte foi e é grande aliada da Raleigh, para alcançar a melhor qualidade de cada jeans tanto em matéria-prima quanto na mão de obra especializada com métodos tradicionais de fabricação.

Victor e Sarah aprenderam com trabalhadores de antigas fábricas da região a operar e consertar as máquinas de costuras vintages para manter o trabalho artesanal. Esta filosofia faz parte do DNA da marca e está presente desde a seleção do denim (produzidos em fábricas norte-americanas de tradição) ao jeans acabado (numerados e assinados pela dupla). Os detalhes destes processos se revelam nas peças que assim se tornam únicas.

SABOR CONTEMPORÂNEO

O denim é tecido em teares antigos que deixam marcas de “imperfeições”, não usuais nos tecidos industrializados em grandes escalas. A textura do tecido é comparada por Victor  de uma forma muito sutil e sofisticada, ao 5º sabor na gastronomia, que não é doce, nem salgado, nem azedo e nem amargo: o Umami. Este sabor foi identificado e nomeado pelo cientista da Universidade Imperial de Tóquio, Kikunae Ikeda, e pode ser traduzido como gosto saboroso que vem da junção de duas palavras do japonês: Umai= saboroso + Mi= gosto (Avisei que era uma rica história e não poderiam faltar alguns detalhes como este…).

Os principais símbolos presentes na filosofia da Raleigh, de maneira metafórica ou simbólica, aparecem na primeira loja da marca inaugurada em 2012, em NovaYork.

 

ARTESANAL E TRADIÇÃO

A paixão pelo que fazem, e da forma como fazem, e as suas origens inspiraram a empresa OMA, responsável pelo projeto da loja, a criar um sistema bastante flexível para expor produtos na loja o que permite a equipe da Raleigh interagir na atmosfera da loja e mudar a maneira e o momento que desejarem.

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O sistema remete à crinoline,  um ícone da moda feminina no período da Guerra Civil Americana (1861-1865), tinha formato de gaiola com estrutura vazada, usada como anágua e dava volume às saias. O período marcante na história americana deixou como herança muitos costumes/tradições, em especial para os sulistas. Quem não se lembra de Scarlett O’hara  com seus vestidos nas cenas do clássico filme: E o vento levou…

Na loja, as armações de tubos de aço montadas como um esqueleto dividem-na em três partes: a vitrine, coleções, e uma sala de estar com provadores e uma máquina de costura.

Pela simplicidade da estrutura, cada ambiente se transforma à medida que são trocados os objetos decorativos, isto é, as peças de jeans, e as instalações, pois podem ser facilmente pendurados e novamente arranjados, dependendo da função que se quer dar ao ambiente: seja como showroom, seja um evento ou simplesmente uma loja.

 

IMAGENS DE SONHOS…

Os arquitetos criaram a sala de estar abstrata no formato de gaiola como a crioline invertida. Desta maneira, este ambiente se transforma completamente e o merchandising pode ser o mais variado possível: trançando o jeans pelas grades, expondo os modelos em caixas penduradas como num mercado, ou ainda pendurando peças em cabos como uma exposição de arte. A partir daí vem o verde com plantas, bem como os diversos esquemas de  iluminação…

Uma parte que não passa desapercebida na loja é uma textura incrível que se forma através de centenas de aviõezinhos de papel! Este símbolo também está presente no teto do estúdio da Raleigh.  O casal reuniu amigos e familiares e todos dobraram e penduraram os aviões nas seqüências das estruturas do teto.

“Nossa filosofia de negócio fundamenta-se no modelo em que nós mesmos fazermos o máximo que podemos. Amamos a aventura e nostalgia associada à imagem dos aviões” , diz Sarah Lytvinenko.

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CABINET DE CURIOSIDADES E HOSPITALIDADE SULISTA

A loja Raleigh, de 90 m2,  é como um Cabinet de Curiosidade, isso é, traz o conceito de varejo híbrido, no qual  o produto principal convive com outros peças de curadoria. O casal coleta peças antigas, objetos, mobiliários, tapetes que fazem parte do seu habitat e espalharam essa coletânia pela loja.

O clima da hospitalidade sulista é reforçado pelo layout da loja, pelo qual todos os ambientes convergem para a sala de estar abstrata, onde reina uma antiga máquina de costura Union Special 43200G, de 1921. É nela que os clientes tem os ajustes de bainha feitos por uma profissional.

Tudo isto traz um clima familiar, de simplicidade e de conforto, fazendo com que os visitantes sintam-se à vontade.

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SUSTENTABILIDADE

Vivendo num estado com muitas riquezas naturais, parques para conservação da natureza (olhe a arara na loja!), e um cluster na produção de jeans, tudo inspira para o desenvolvimento da moda através da utilização de recursos locais e naturais como o uso do algodão orgânico produzido localmente.

Fabricar um jeans dentro deste processo exige muito mais trabalho do que o sistema industrial de uma unidade de produção convencional. Mas para os Lytvinenko: “Vale a pena!”

A excelência do produto é resultado dessa história de paixão e amor que é a essência dessa marca e que se torna pretexto para conhecer e inspirar-se nessa loja, onde ser denso ou minimalista, cheio ou vazado só depende do desejo e das mãos de Sarah e Victor.

ESTA HISTÓRIA CONTINUA….

 

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 142 da revista World Fashion+Varejo, na coluna +Sua Loja

Apr
11

Os Surrealistas

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Os Surrealistas

Projetos de interiores tornam-se referência no universo do varejo ao estabelecer diálogos com os clássicos dos movimentos artísticos

Dos territórios do subconsciente e do sonho surgem imagens e acontecimentos inimagináveis no plano real. Mas alguns ambientes de lojas nos levam a experimentar estas dimensões.

São visões de um mundo de fantasia: Surreais.

“…EXIGINDO ROCKS, ANIMAIS, METAIS….” CAETANO, Veloso.

A Barneys de Nova Iorque homenageou os 60 anos da marca francesa Chloé com vitrines tematizadas por suas peças clássicas. O resultado veio do trabalho conjunto da equipe da Barneys com cabeleireiro Bob Recine.

Na vitrine, com um manequim vestindo o VIOLIN DRESS de 1983, um arranjo de instrumentos musicais “crescia” de sua cabeça e se espalhava pelo ambiente, como se ocorresse a materialização de um repentino estrondo de um concerto musical.

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Violin Dress

 As tranças dos manequins, vestidos com o modelo BRAIDS (tranças, em inglês), formavam um rodamoinho de 6 metros de cabelos e cordas torcidas pelo teto da vitrine. Esse emaranhado parecia flutuar como nuvens, tentando romper o espaço e alcançar o céu.

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Braids

“TODO OVO QUE EU CHOCO, ME TOCO, DE NOVO…” BUARQUE, Chico

No teto, um olho grego estilizado.

Dele escorre uma lágrima em forma de um ovo dourado, que, por sua vez, “choca” um par de pernas negras.

Abaixo uma galinha gigante em azul Yves Klein.

Isso tudo pode parecer uma descrição de uma obra de René Magritte ou Salvador Dali, mas é a loja  Kokoo, em Chipre.

A galinha é um grande display de acessórios.

Na parede, centenas de cabos de guarda-chuvas funcionam como expositores.

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“POR TRÁS DESTA LENTE TAMBÉM BATE UM CORAÇÃO…” VIANNA, Hebert.

Na óptica Kirk Originals, na Conduit Street, em Londres, os olhos nos olham e, literalmente, piscam através dos grandes móbiles digitais suspensos na vitrine.

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Saindo do lugar comum, o interior da loja tem paredes escuras e repleta de centenas de pares de olhos em chapas brancas que parecem saltarem das paredes. Os “olhos”, na verdade, funcionam como displays para os óculos. Como nas obras surrealistas, os olhos parecem não pertencer a um ser humano real e sim, a uma mutação para um tipo de inseto de pernas finas e longas. Os clientes podem interagir reclinando e reposicionando os “insetos”.

 

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Será que Freud explica?

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design

Esse texto foi publicado na edição 144 da revista World Fashion + Varejo, na coluna +Sua Loja

Apr
10

Realidade Fantástica

By Nomina Design  //  colunas, World Fashion + Varejo  //  Comments Off on Realidade Fantástica

Projetos de interiores para o varejo contemporâneo utilizam metáforas e símbolos que ultrapassam limites da realidade e criam novas sensações que vão mexer com os sentidos dos observadores

Na literatura o realismo fantástico trouxe novos ares para expressar emoções. Aliás, se a literatura é a transposição do real para o ilusório, nada melhor que a fantasia para distorcer narrativas de cenas cotidianas.

Dias Gomes levou o estilo para a novela Saramandaia transmitida em 1976. E agora em remake, quem não se surpreende com as características irreais das personagens? João Vilar que, preso ao passado, até criou raízes. Dona Redonda que explode de tanto comer. Marcina, com sua volúpia, provoca incêndios. O professor Aristóbulo que vira lobisomem em noites de lua cheia, João Gibão cria asas, Cazuza, diante de uma injustiça,  põe o coração pela boca, entre outros.

Nesta trama, metáforas e símbolos incorporados literalmente às personagens ultrapassam limites da realidade e criam novas sensações que mexem com nossos sentidos.

Mexer com os sentidos?

Mexer com os sentidos!

É disto que o varejo precisa.

Criar novas experiências!

Oferecer novos formatos.

E o que há de novo neste sentido?

Dover Street Market Guinza (DSMG)

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Obra da artista Yayoi Kusama

Inaugurada em março de 2012, a DSMG é mais uma loja da britânica Dover Street Market no Japão, especificamente, em Guinza, Tóquio.

Idealizadora do conceito de  pop up store, estratégia inovadora no varejo com sua Guerrilla Store, em 2004, Rei Kawakubo, por trás da marca Comme de Garçons,  é a responsável por mais novidades no varejo da moda.

O visual das tradicionais lojas de departamentos com seus corners bem delimitados e identificados por marcas, passa longe  do conceito chamado por Rei Kawakubo de ‘Beautiful Caos’.

Na DSMG não existem paredes ou logotipos das marcas estampados em fachadas. Nem divisão por andares como masculino, feminino, luxo ou seções de acessórios, etc. Uma seleção de produtos de marcas do luxo e alternativas, objetos de arte e design são randomicamente dispostos nos 1.300 m2 da loja de 6 andares.

Então, procurar e encontrar por uma marca é mais uma experiência. Surpreendente é encontrar novas marcas e produtos inovadores.

A loja vive em constante evolução. A todo tempo surge uma novidade. Novos artistas ou produtos exclusivos como a coleção branca criada pela Lanvim para DSM ou edição limitada de mobiliários da Dior Home.

São mais de 60 marcas, 49 espaços, incluindo uma padaria.

Por toda parte, existem intervenções de artistas contemporâneos, cenógrafos de filmes e teatro, além dos designers das marcas. Estas instalações de arte se misturam aos mobiliários criados por Rei Kawakubo e mais, aos produtos. Beautiful Caos!

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Vitrine com produtos da Louis Vuitton.

A presença marcante das inevitáveis escadas rolantes em cada andar, foi amenizada com o trabalho da artista japonesa Kohei Nawa. São vários pilares brancos e torneados instalados de forma inclinada ao redor de cada escada rolante.

A Cabana, é uma instalação ícone na DSM de Londres, presente também na loja de Tóquio.

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A Cabana e ao fundo pilares ao redor da escada rolante de Kohei Nawa

Na realidade fantástica, o “fantástico” convive com o mundano e faz parte do cotidiano. Da mesma forma, o conceito do Beautiful Caos não se trata de uma ação de temporária da loja e sim uma nova estratégia de varejo, onde não existe limite entre a arte, design e moda.

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Os insetos gigantes do artista britânico Michael Howells ‘colonizam’ a loja

Esta sinergia cria ambientes mais que surreais: uma realidade fantástica!

Fotos: Divulgação

Por Noemi Saga, diretora de criação da Nomina Design.

Esse texto foi publicado na edição 143 da revista World Fashion + Varejo, na coluna +Sua Loja.